Fazemos parte da Segunda Igreja Batista em Cabedelo/Pb, situada no bairro, Jardim Manguinhos em frente a Estação de trem.
Horários de cultos:

- Terça: departamentos 19:30h

- Quarta: Culto de oração 19:30h

- Quinta: Reunião da União de adolescentes 19:30h

- Sabado: Culto da UNIJOVEM 19:00h

- Domingo: EBD 09h e Culto de adoração 18h

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

BBB - O FIM DA PICADA. SÓ ERA O QUE FALTAVA!

BBB 10 e 11: O FIM DA PICADA. E AGORA O BBB 12. SÓ ERA O QUE FALTAVA!
POR FAVOR, REPASSEM ESTA MENSAGEM!
·       Recebi uma mensagem informando que na primeira semana do novo programa, já terá até sexo. Onde estão as autoridades deste país? Precisamos iniciar uma CAMPANHA NACIONAL contra essa imoralidade, que tem ensinado os jovens um modelo de vida totalmente fora da realidade e dos padrões de Deus. Chega de hipocrisia!
·       Vamos combater isso em nossas igrejas, ensinando os riscos desta maldição chamada BBB para o futuro das famílias e sociedade brasileira. Levante esta bandeira querido pastor, líder, irmão, pais e qualquer outra pessoa e grupos que ama a família, essa instituição sagrada. Que Deus nos abençoe em nome de Jesus Cristo!
Amados Irmãos, amigos e família brasileira, estou repassando este artigo apenas com o objetivo de trazer um esclarecimento e ao mesmo tempo um alerta as nossas famílias para o perigo que tem entrado em nossas casas sem sequer bater na porta. E conseqüentemente, tem trazido a destruição dos conceitos familiares e padrões morais divinos a que nós nos submetemos.
Às vezes não sabemos o porquê das coisas que estão acontecendo, como por exemplo:
  • A desobediência de nossos filhos, e suas opções sexuais, 
  • Aumento no consumo de drogas e álcool,
  • Aumento no numero de casais que estão se separando antes mesmo do 1º ano de casamento e conseqüentemente suas famílias destruídas,
  • Afastamento do homem da presença de Deus.
Então, leiam este ARTIGO NA INTEGRA e tire suas próprias conclusões. Vejam quem são os modelos de super-heróis, que são apresentados aos nossos filhos...
Mídia e BBB 10, 11 e agora o 12. A que ponto nós chegamos!

Só lamento o autor não ter se identificado, mesmo assim parabéns...
BBB 10, 11 e 12:  O FIM DA PICADA...
Que me perdoem os ávidos telespectadores do Big Brother Brasil (BBB), produzido e organizado pela nossa "distinta" Rede Globo, mas conseguimos chegar ao fundo do poço. A décima (está indo longe) edição do BBB é uma síntese do que há de pior na TV brasileira. Chega a ser difícil encontrar as palavras adequadas para qualificar tamanho atentado à nossa modesta inteligência.
Dizem que Roma, um dos maiores impérios que o mundo conheceu, teve seu fim marcado pela depravação dos valores morais do seu povo, principalmente pela banalização do sexo. O BBB é a pura e suprema banalização do sexo. Impossível assistir ver este programa ao lado dos filhos.. Gays, lésbicas, heteros... Todos na mesma casa, a casa dos heróis, como são chamados por Pedro Bial. Não tenho nada contra gays, acho que cada um faz da vida o que quer, mas sou contra safadeza ao vivo na TV, seja entre homossexuais ou heterossexuais. O BBB é  a realidade em busca do IBOPE: é putaria ao vivo!!!
Veja como Pedro Bial  tratou os participantes do BBB 10. Ele prometeu um zoológico humano divertido. Não sei se será divertido, mas parece bem variado na sua mistura de clichês e figuras típicas.
Se entendi corretamente, as apresentações, são 15 os animais do zoológico: o judeu tarado, o gay afeminado, a dentista gostosa, o negro com suingue, a nerd tímida, a gostosa com bundão, a não sou piranha mas não sou santa, o modelo Mr. Maringá, a nordestina sorridente, a lésbica convicta, a DJ intelectual, o carioca marrento, o maquiador drag-queen e a PM que gosta de apanhar (essa é para acabar!!!). e por aí vai...!
Pergunto-me, por exemplo, como um jornalista, documentarista e escritor como Pedro Bial que, faça-se justiça, cobriu a Queda do Muro de Berlim, se submete a ser apresentador de um programa desse nível. Em um e-mail que recebi há pouco tempo, Bial escreve maravilhosamente bem sobre a perda do humorista Bussunda referindo-se à pena de se morrer tão cedo. Eu gostaria de perguntar se ele não pensa que esse programa é a morte da cultura, de valores e princípios, da moral, da ética e da dignidade.
Outro dia, durante o intervalo de uma programação da Globo, um outro repórter acéfalo do BBB disse que, para ganhar o prêmio de um milhão e meio de reais, um Big Brother tem um caminho árduo pela frente, chamando-os de heróis. Caminho árduo? Heróis? São esses nossos exemplos de heróis?
Caminho árduo para mim é aquele percorrido por milhões de brasileiros, profissionais da saúde, professores da rede pública (aliás, todos os professores), carteiros, lixeiros e tantos outros trabalhadores incansáveis que, diariamente, passam horas exercendo suas funções com dedicação, competência e amor e quase sempre são mal remunerados..
- Heróis são milhares de brasileiros que sequer tem um prato de comida por dia e um colchão decente para dormir, e conseguem sobreviver a isso todo santo dia.
- Heróis são crianças e adultos que lutam contra doenças complicadíssimas porque não tiveram chance de ter uma vida mais saudável e digna.
- Heróis são inúmeras pessoas, entidades sociais e beneficentes, ONGs, voluntários, igrejas e hospitais que se dedicam ao cuidado de carentes, doentes e necessitados (vamos lembrar de nossa eterna heroína Zilda Arns).
- Heróis são aqueles que, apesar de ganharem um salário mínimo, pagam suas contas, restando apenas dezesseis reais para alimentação, como mostrado em outra reportagem apresentada meses atrás pela própria Rede Globo.
O Big Brother Brasil não é um programa cultural, nem educativo, não acrescenta informações e conhecimentos intelectuais aos telespectadores, nem aos participantes, e não há qualquer outro estímulo como, por exemplo, o incentivo ao esporte, à música, à criatividade ou  ao ensino de conceitos como valor, ética, trabalho e moral. São apenas pessoas que se prestam a comer, beber, tomar sol, fofocar, dormir e agir estupidamente para que, ao final do programa, o escolhido receba um milhão e meio de reais. E ai vem algum psicólogo de vanguarda e me diz que o BBB ajuda a "entender o comportamento humano". Ah, tenha dó!!! 
Veja o que está por de tra$$$$$$$$$$$$$$$$ do BBB: José Neumani da Rádio Jovem Pan, fez um cálculo de que se vinte e nove milhões de pessoas ligarem a cada paredão, com o custo da ligação a trinta centavos, a Rede Globo e a Telefônica arrecadam oito milhões e setecentos mil reais. Eu vou repetir: oito milhões e setecentos mil reais a cada paredão.
Já imaginaram quanto poderia ser feito com essa quantia se fosse dedicada a programas de inclusão social, moradia, alimentação, ensino e saúde de muitos brasileiros?
(Poderia ser feito mais de 520 casas populares; ou comprar mais de 5.000 computadores )
Essas palavras não são de revolta ou protesto, mas de vergonha e indignação, por ver tamanha aberração ter milhões de telespectadores.
Em vez de assistir ao BBB, que tal ler um livro, um artigo de Jabor, um poema de Mário Quintana ou de Neruda ou qualquer outra coisa.., ir ao cinema....,  estudar... , ouvir boa música..., cuidar das flores e jardins.... , telefonar para um amigo... , visitar os avós..., pescar..., brincar com as crianças.. , namorar... ou simplesmente dormir. Assistir ao BBB é ajudar a Globo a ganhar rios de dinheiro e destruir o que ainda resta dos valores sobre os quais foi construída nossa sociedade.
Faça sua parte enquanto há tempo, lembrem-se dos seus filhos, irmãos, netos, sobrinho e amigos!

NÃO FAÇA PARTE DESTA MALDIÇÃO. ASSIM SENDO, NÃO DÊ IBOPE A ESTA EMPRESA QUE TEM CONTRIBUÍDO PARA DESMORALIZAÇÃO DA SOCIEDADE E FAMILIA BRASILEIRA. DIGA: NÃO. E NÃO ASSISTA A ESSE PROGRAMA IMORAL E SEM CONTEÚDO.
Eu digo, NÃO!!!

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Sotereologia - A Doutrina da Salvação (Parte II)

...Continuação!
Sotereologia - A Doutrina da Salvação (Parte II)

4. A Natureza da Salvação
O fato de estudarmos a salvação presume que ela existe (João 3:19). Se ela existe há uma necessidade que faz ela existir. Por ter uma doutrina da salvação é presumida a existência de iniqüidade, que é a quebra de uma lei (I João 3:4; 5:17, "o pecado é iniqüidade."), e a existência de um que deu a lei, quem é Deus (João 15:22,24, "Se Eu não viera, nem lhes houvera falado, não teriam pecado..."). Tudo o que é pecado (que será estudado posteriormente) e tudo que o pecado causa é desfeito pela salvação.
A salvação é uma libertação. A salvação é libertação da culpa e impiedade do pecado juntamente das suas conseqüências eternas de rebelão contra o governo do Deus Todo-Poderoso (Cole, Definitions, V.II, p. 52). Sem a libertação que a salvação efetua, o pecador séria excluído eternamente da presença de Deus e para sempre exposto à Sua ira (João 3:36). O fato da salvação ser livre, substitutiva, penal e sacrificatória será tratado quando estudamos o preço pago por Cristo na salvação. Por agora entendemos que a salvação é necessária e é uma libertação.
5. Os Necessitados da Salvação
No relatório bíblico, somente antes do pecado, é dito que tudo que Deus fez foi considerado "muito bom" (Gên. 1:31). Depois que o homem desobedeceu o mandar de Deus de não comer da árvore do conhecimento do bem e do mal (Gên. 2:7) e comeu dela (Gên. 3:6) não se acha nada na Bíblia referendo-se ao homem como ‘bom’. Isso mostra o quanto o pecado destrua, é universal e total.
Que o homem necessita a salvação é claramente evidente por uma olhada às noticias dos acontecimentos do homem ao redor do mundo pelos meios de comunicação. Assassinatos, corrupções, ameaças, injustiças, preconceitos, mentiras, roubos, fornicações, desrespeito do seu próximo e do próprio Deus e a poluição verbal e moral são constantes de todos os povos do mundo todos os dias. A Bíblia evidencia a dimensão do pecado no homem claramente (Ezequiel 16:4,5; Isa 1:6; Rom. 3:10-18). Essa condição detestável e pecaminosa não é adquirida pelo ambiente ou causada pela falta de oportunidade social ou educacional, mas contrariamente, todo homem é pecador desde o ventre (Gên. 8:21, "a imaginação do coração do homem é má desde a sua meninice" Sal 51:5, "em iniqüidade fui formado, e em pecado concebeu minha mãe."; 58:3, "Alienam-se os ímpios desde a madre; andam errados desde que nasceram, falando mentiras; Isa 48:8, "chamado transgressor desde o ventre."). OBS: Não é o ato de procriação que causa o pecado, nem é a relação conjugal, dentro dos seus limites bíblicos, pecaminosa, mas pela a procriação ser feita entre pecadores, o homem pecador é gerado (Rom 5:12).
O pecado destruiu totalmente a imagem de Deus no homem que existiu por criação especial, ao ponto do homem, universalmente (Rom. 3:23; 5:12), não querer ter nenhum conhecimento de Deus (João 5:40; Rom. 1:28; 3:11,18). Por isso o homem pecador é "voluntariamente" ignorante da verdade (II Pedro 3:5). A vontade do homem não foi a única parte do homem influenciada pelo pecado, mas a sua capacidade de agradar Deus também foi destruída (Rom. 8:8; Jer 13:23). A condição do homem pecador é tão deplorável que ele não pode vir, pelas suas próprias forças, a Cristo (João 6:44,45) e jamais, na carne, pode agradar a Deus (Rom. 8:6-8). O entendimento do homem foi deturpado ao ponto de ser descrito como "entenebrecido" no entendimento (Efés. 4:18; Rom. 1:21). Por isso as verdades santas e boas de Deus não são compreendidas ao homem natural e são, para ele, escandalosas e loucuras (I Cor 1:23; 2:14). A responsabilidade da condição pecaminosa do homem é do próprio homem. Ele mesmo busca muitas "astúcias" (Ecl. 7:29). Que os homens não são capacitados com desejo nem com poder para o bem em nenhuma maneira é entendido pela denominação "mortos em ofensas e pecados" (Efés. 2:1). Por isso "nenhum homem, pela sua natureza, crê que necessita Cristo. Ele está cegado pelos seus morais, suas intenções, sua sinceridade, sua bondade. Ele não vê a impiedade do seu pecado nem que o seu caso é sem esperança" (Don Chandler, citado em Leaves, Worms ..., p. 129).
O coração do homem, a fonte da vida (Prov. 4:23), é tão enganoso que é impossível que nem o homem conheça a sua própria perversidade (Jer 17:9). Por isso o homem é completamente "reprovado para toda a boa obra" (Tito 1:16) fazendo que o homem tenha inimizade contra o próprio Deus, o seu Criador (Rom. 8:7). O pecado reina em todos os membros (físicos, mentais, emocionais, espirituais) do homem (Rom. 7:23).
A prova que todos os homens são pecadores é dada pelo fato que não há ninguém que obedeça sem nenhum defeito ou omissão todos os mandamentos, e, não existe ninguém que pode manter-se puro de todo e qualquer pecado em pensamento, palavra, ação em coração e vida. Se o homem fosse tão onisciente quanto Deus, o homem declararia o que o próprio Deus declarou quando olhou desde os céus para os filhos dos homens, para ver se havia algum que tivesse entendimento e buscasse a Deus. Deus, na aquela ocasião declarou: "Desviaram-se todos e juntamente se fizeram imundos: não há quem faça o bem, não há sequer um." (Sal 114:2,3).
A condição deplorável do pecador não quer dizer que ele não tem uma consciência, nem da possibilidade de exercitar a sua mente e a sua vontade ou determinar ações pelo seu raciocínio. Assim que o pecado apareceu no mundo, a consciência do homem foi ofendida ("conheceram que estavam nus") e, sendo assim, operou segundo a sua própria deplorável determinação e lógica pecaminosa, e, em prova disso, escondeu-se de Deus. Apesar da presença do pecado e toda a sua natureza de destruição no homem, "os olhos" que enxergam a condição da alma (a consciência), não somente existiram, mas eram ativos (Gên. 3:7,8). O Apóstolo Paulo, pela inspiração do Espírito Santo, ensina que os pagãos tenham uma consciência ativa e por ela acusa suas ações ou defenda-os (Rom. 2:14,15). Veja também João 8:9 para um exemplo que o homem pecador tenha uma consciência e é capaz de agir conforme o seu raciocínio. Mesmo que existem tais qualidades (uma consciência viva), a condição deplorável do pecador influi a operação da sua consciência, da sua lógica e da sua vontade ao ponto de não buscar a Deus (Rom. 3:11), não amar a luz (João 3:19) e não compreender as coisas do Espírito de Deus (I Cor 2:14). A consciência existe mas ela é influenciada pelo que o que o homem é, um pecador.
A condição abominável do pecador não quer ensinar que o homem não pode fazer uma escolha livre. O homem pecador pode determinar o que ele quer escolher. Somente pelo fato do homem uniformemente preferir a iniqüidade em vez do bem não quer ausentar o fato que ele tem uma escolha. O homem tem uma escolha sim e ele faz a sua escolha continuamente. Mas devemos frisar que a mera possibilidade de fazer uma escolha não automaticamente ensina que o homem tem a capacidade necessária a fazer uma escolha santa ou aquilo que agrada a Deus. Todos de nós temos a livre escolha de trabalhar e ser milionários, mas essa liberdade não nos faz capazes. Mesmo possuindo a qualidade da livre escolha, o homem pecador é incapaz de escolher o bem para agradar a Deus pois a inclinação da sua carne é morte (Rom. 8:6-8). O arbítrio do homem, contudo, não é livre. Mesmo que a capacidade do homem escolher é livro, contudo, o seu arbítrio (Resolução que depende só da vontade, Dicionário Aurélio Eletrônico) é servo da sua vontade, e, portanto, não é livre. O arbítrio do homem faz o que a sua vontade dita. Mas, falando da sua escolha, essa é livre. O homem indo a uma sorveteria tem livre escolha entre os sabores. Essa situação mostra que ele tem livre escolha. Todavia, o homem somente pede o sabor predileto pois o seu desejo, a sua vontade pessoal leva ele assim a escolher, e, o seu arbítrio, que é servo da sua vontade, pede aquele sabor. Nisso entendemos que a escolha é livre mas não o arbítrio.
A condição depravada do pecador não quer significar que homem nenhum pratica boas obras. Os homens não regenerados são verdadeiramente capazes de fazer tanta religião quanto os fariseus que dizimaram até as mínimas coisas para com Deus (Mat. 23:23; Luc 11:42). Todavia, todas as boas obras que o pecador faz é somente para dar "fruto para si mesmo" (Oséias 10:1) e não para a glória de Deus. O homem pode se ocupar esforçadamente no guardar dos mandamentos, ser sincero para com tudo que é religioso e ser generoso nas obras da caridade (Mar 10:17-20, "tudo isso guardei desde a minha mocidade"). Todavia, a sua condição depravada faz que nada disso se torna a ser agradável a Deus (Isa 64:6; Rom. 8:7,8).
A condição terrível de pecador não quer insinuar que todos os homens revelam todo o pecado que podem manifestar. Há os que rejeitem Cristo que jejuam duas vezes na semana (Luc 18:12). Há os pecadores que Deus nunca conheceu mas dizem "Senhor, Senhor!" e profetizam no nome do Senhor Jesus (Mat. 7:22). Existe os outros pecadores que escarnecem do Santo (Mar 15:29-31) ou são malfeitores (Luc 23:41). Comparando pecador com pecador alguns parecem mais refinados e outros mais bárbaros. Todavia todo o homem é pecador e qualquer pecado merece a separação eterna da presença de Deus (Ezequiel 18:20; Rom. 6:23; Tiago 2:10). "A manifestação do pecado aumenta a medida que os pensamentos ímpios são guardados, os hábitos imorais são praticados e os ensinamentos da verdade são ignorados" (Rom. 1: 28; Boyce, p. 245).
A condição detestável e completa do homem pecador também não minimiza a responsabilidade do pecador para com Deus. Todo homem é responsável para com Deus porque a sua incapacidade não veio por uma imposição ou causa divina mas porquê ele mesmo voluntariamente pecou e trouxe sobre si a condenação divina (Gên. 2:17; 3:6,17). Todo o homem deve ocupar-se em não pecar e deve preocupar-se em agradar o seu Criador e juiz. Essas ocupações são exigidas por sua condição de ser a criatura e por Deus ser o Criador (Ecl. 12:13). Alguns podem duvidar se somos responsáveis pessoalmente por termos uma natureza pecaminosa vindo de Adão (Rom. 5:12), mas, de fato, somos responsáveis pela expressão dela (Ezequiel 18:20; I João 2:16; 3:4). A responsabilidade para com Deus é entendida em que não somos forçados a pecar, mas pecamos pela ação da nossa própria vontade (Gên. 3:6,17; João 5:40). Não é a incapacidade de obedecer tudo que nos separa de Deus mas os próprios pecados do homem que fazem a separação dele de Deus (Isa 59:1-3; Efés. 1:18). A incapacidade natural (Rom. 3:23) e moral (Tito 1:15) nunca descarta a responsabilidade particular de nenhum a não pecar. Qual cidadão racional escusa o homicídio culposo pela razão de ser praticado quando bêbedo; ou desculpa um crime por ser praticado por um desequilibrado pela raiva; ou justifica os crimes por serem simplesmente pela paixão, etc.? A bebida, a ira e a paixão podem levar o homem a agir irracionalmente, mas é ele que bebe descontrolado, se ira e deixa-se a ser levado pela paixão. Por isso o homem é responsável pelas suas ações quando nestas condições se encontra. O fato que o homem deve se arrepender (Mat. 3:2; Atos 17:30) revela que Deus sabe que o homem é responsável a responder positivamente a Ele. O primeiro homicídio foi castigado (Gên. 4:11) como todos os pecados serão (Apoc 20:11-15), convencendo todos, com isso, que a expressão do pecado é da responsabilidade daquele que comete tal ação (Ezequiel 18:20; Rom. 3:23; 5:12). Não obstante a sua responsabilidade de amar a Deus de todo o coração e de se arrepender pelo pecado cometido, o homem natural, o primeiro Adão, é tão desfeito pelo pecado que não pode fazer, com seu próprio poder, o que ele sabe que deve fazer para agradar a Deus (Rom. 8:7; II Cor 2:14). Mas, mesmo sendo incapaz, ele é, completa e universalmente responsável pela obediência da Palavra de Deus em tudo (Ecl. 12:13, "o dever de todo o homem").
A incapacidade do pecador não desqualifica os meios que devem ser empregados tanto pelo pecador para sua salvação quanto pelo salvo em pregar aos perdidos. Tanto o pecador quanto o salvo devem ocuparem-se de usar todos os recursos que biblicamente têm à mão. A impossibilidade de produzir um efeito não é razão suficiente para ser irresponsável no dever. O fazendeiro jamais pode produzir uma safra qualquer nem efetuar a chuva cair na terra ou fazer o sol brilhar. Essa incapacidade não desqualifica-o de semear e regar a semente. O mandamento de Deus é que o pecador deva se arrepender e crer (Atos 17:30). O mandamento de Deus é que o crente ore e pregue (Sal 126:6; Mat. 28:18-20). Por serem mandados, os mandamentos devem ser obedecidos não obstante a condição natural do homem. Os meios têm um fim. Para ceifar é necessário primeiramente semear (Gal 6:7-10). É verdade que Deus dê o crescimento, mas é somente depois de semear e de regar (I Cor 3:6). O receber depende do pedir; o encontrar depende do buscar; o abrir vem somente depois de bater (Mat. 7:7). Portanto, os meios devem ser empregados apesar da incapacidade total do pecador ou das fraquezas dos salvos. Os meios são a única maneira ao fim esperado. Apenas existe o receber enquanto haja o pedir (Mat. 7:7). Paulo pergunta: "como crerão naquele de quem não ouviram?" (Rom. 10:13-15). Por ter fruto somente depois de semear; por ter a salvação somente depois de crer, os meios bíblicos devem ser empregados se quer ter o fim esperado. Também devemos usar os meios disponíveis por ter a promessa de Deus. Deus promete fruto se a semente for semeada. A promessa de Deus anima o semeador de ter longa paciência na sua esperança de uma safra eventual (Tiago 5:7). A promessa diz que eventualmente haverá uma safra (Sal 126:5,6) e um aumento (Efés. 4:11-16). Apesar da incapacidade do homem pecador a crer e da impossibilidade do pregador convencer qualquer dos seus pecados existe a necessidade de empregar zelosamente todos os meios que Deus designou nas Escrituras Sagradas.
A incapacidade do homem pecador não deve incentivar a sua demora em vir a Cristo ou deve desculpar a sua desobediência aos mandamentos de Deus. Quanto incapaz o homem a crer mais ele deve procurar a graça de Deus em misericórdia para crer (Mar 9:24). O doente precisa do medico é fato. Quanto mais severa a doença mais urgente o socorro. Se o pecador entenda a sua situação deplorável, pode se prostrar diante de Deus clamado pela sua ajuda (Mar 9:4) pedindo de Deus: "Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador!" (Luc 18:13; 11:13). O mandamento não é de esperar por uma sensação, visão ou qualquer outro sinal. Cristo já foi dado e declarado (I Cor 3:11). O mandamento de Deus é: "Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais os vossos corações" (Heb 3:13,15). Se o salvo entenda a sua responsabilidade, o mandamento de Deus é: "Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura" (Mar 16;15), ame a Deus de todo o coração (Mar 12:30) e "crescei na graça e no conhecimento de Cristo" (II Pedro 3:18). Quanto mais que sentirmos fracos em obedecer, mais esforçadamente devamos procurar a Sua graça. É Deus que opera em nós tanto o querer como o efetuar segunda a sua vontade (Fil. 2:13). Isto deve encaminhar-nos a Ele a buscar a Sua graça para obedecermos o Seu mandar.
Somente a salvação pela graça capacitará o pecador a entrar no reino de Deus (João 3:3,5; II Cor 3:5). A própria condição deplorável do homem mostra a sua necessidade da salvação. O homem é sem a justiça necessária (Rom. 3:10), sem Cristo, separado de Deus, sem nenhuma esperança (Efés. 2:12) e sem esforço (Rom. 5:6; 7:18). Ele está com a maldição da lei (Gal 3:10) e sobre ele permaneça a ira de Deus (Rom. 3:36). A condição abominável do homem assegura que ele necessita de salvação, aquela que vem exclusiva e completamente de Deus. Por isso pregamos a salvação somente pela graça. Se o homem tivesse uma mínima condição para ajudar-se, a sua salvação não seria totalmente de graça. A depravação da sua condição totalmente e universalmente pecaminosa, estabeleça o fato que a salvação eterna é, em todas as suas partes, divina e inteiramente graciosa (Efés. 2:8,9). Assim Cristo ensinou quando comparou a relação que existe entre Ele e o Seu povo usando a videira e as varas. E ele disse: "sem mim nada podeis fazer." (João 15:4,5). Que Deus abençoe os salvos a pregar tal graça e os pecadores a buscá-la antes que seja tarde demais.
Que a mensagem clara da condição abominável do pecador, da realidade da sua incapacidade de fazer o bem e a verdade que todos são responsáveis diante de Deus incentive todos os pecadores a clamarem pela misericórdia de Deus para o perdão dos seus pecados e pela fé necessária para crerem em Cristo Jesus para a salvação! E, que clamem até conhecerem Cristo pessoalmente. Tal salvação é a sua responsabilidade e necessidade e o encontro de tal salvação é o nosso desejo para com você.

(... continua...)

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Sotereologia - A Doutrina da Salvação (Parte I)

Por: Calvin Gardner


CONTEÚDO

3.A Causa da Salvação
4.A Natureza da Salvação
5.Os Necessitados da Salvação
6.A Escolha de Deus na Salvação
7.O Preço Pago para a Salvação
8.A Chamada à Salvação
9.A Salvação Realizada
10.O Efeito Prático da Salvação
1. Introdução

A doutrina da salvação, na maioria das igrejas e centros de crença existentes hoje, é nebulosa ou, nos casos piores, contraditória. A confusão que existe sobre esta doutrina é tremenda. Tal confusão pode vir por ela tratar muitos tópicos em uma ordem que as vezes é difícil de seguir. Mesmo que o assunto contém aspetos que são impossíveis de entender por completo, convém um estudo sobre este vasto assunto que quase todos os livros da Bíblia tratam. O termo teológico deste assunto é soteriologia. Essa doutrina abrange as doutrinas da reprovação, a eleição, a providência, a regeneração, a conversão, a justificação e a santificação entre outras. Também envolve a necessidade de pregação, de arrependimento e de fé. Inclui até as boas obras e a perseverança dos santos. A salvação não é uma doutrina fácil de entender pelo homem. É uma atividade divina em que participam as três pessoas da trindade agindo no homem. Por ela tratar da obra de Deus que resulta no eterno bem do homem para a glória de Deus somos incentivados a avançar neste assunto com temor e oração para entendê-la na forma que é do agrado de Deus.
Que Deus nos guie com entendimento espiritual pelas maravilhas da Sua Palavra no decorrer deste estudo e que Deus nos traz à convicção verdadeira, e, pela Palavra de Deus, nos dá um conhecimento individual de Jesus Cristo (Efés. 1:17-23).
2. O Desígnio da Salvação
Pela eternidade passada e pela eternidade futura Deus deseja receber toda a glória de tudo que Ele faz (Êx. 34:14; Isa 42:8; 48:11; Rom. 11:36; I Cor 10:31). Na realidade a ninguém outro, senão a Deus o Todo Poderoso, é devido toda a glória nos céus e na terra. A glória de Deus é a prática dos seres celestiais agora (Sal 103:20; Isa 6:1-3) e para todo o sempre (Apoc 4:11; 5:12). Essa glória não vem de uma necessidade de Deus, pois Ele não necessita de nenhuma coisa (Atos 17:25) mas é simplesmente um desejo e direito particular (I Cor 1:26-31; Efés. 2:8-10).
A obediência é abençoada gloriosamente pois ela glorifica Deus (Rom. 4:20,21). A obediência desejada é entendida tanto antes do pecado (Gên. 2:16,17) quanto depois (Deut. 10:12,13). Pela obediência da Sua Palavra, Deus é glorificado. Essa observação contínua é o dever de todo o homem (Ecl 12:13).
A desobediência da lei de Deus é pecado (I João 3:4; 5:17) e é o que provoca a separação eterna da presença de Deus (Gên. 2:17; Rom. 6:23). O pecado é uma abominação tamanha justamente por não intentar dar glória a Deus (Núm. 20:12,13; 27:14; Deut. 32:51). O pecado é iniqüidade a Deus e em nenhuma maneira glorioso.
Desde o começo da Sua operação com os homens, Deus requer uma obediência explícita. Essa obediência desejada tem o fim de O glorificar. A maldição no jardim do Éden (Gên. 3:14-19, 22-24) foi expressada por causa do homem não colocar o desejo de Deus em primeiro lugar (Gên. 2:17; 3:6). A destruição da terra pela água nos dias de Noé (Gên. 6:5-7) foi anunciada sobre todos os homens por eles servirem a carne e, nisso, não glorificaram a Deus (Mat. 24:38). A história bíblica mostra o povo de Deus sendo castigado repetidas vezes, um castigo que continua até hoje, por uma razão maior: adorar outros deuses (Jer 44:1-10). A condição natural do homem é abominável diante de Deus justamente por ele não ter o temor de Deus diante de seus olhos (Rom. 3:18). A condenação final do homem ímpio será simplesmente por causa do homem não ter Deus nas suas cogitações (Sal 10:4), desprezar toda a Sua repreensão (Próv. 1:30) e por não se arrependerem para dar glória a Deus (Apoc 16:9). Foi dado outro tanto de tormento e pranto à Babilônia por causas de glorificar a si (Apoc 18:7). Deus nunca dará a glória devida a Ele a outro (Isa 42:8). Ao Deus da glória (Atos 7:2), o Pai da glória (Efés. 1:17) é devida toda a glória para todo o sempre (Fil. 4:20; I Tim 1:17).
Quando chegarmos ao assunto da salvação não podemos procurar de modificar o desígnio eterno de Deus. Na doutrina da salvação Deus não está procurando dar uma glória ao homem. Pela salvação tratar dos seres humanos e o estado eterno deles não quer dizer que Deus não deseja receber a glória deste tratamento.
A salvação tem o propósito de trazer glória eternamente a Deus, e, essa glória na salvação, é por Jesus Cristo para todo o sempre (Rom. 16:27; II Cor 4:6; I Pedro 5:10). Pelo decorrer deste estudo entenderemos melhor como cada fase da salvação exalta Cristo desde a eleição que foi feita em Cristo (Efés. 1:3,4) à santificação que traz os eleitos a serem semelhantes a Cristo (I João 3:2). Cristo é a semente incorruptível pela qual os salvos são gerados de novo (I Pedro 1:23-25). Cristo é o caminho sem o qual ninguém vai a Deus (João 14:6). Cristo é a verdade em qual o pecador deve crer para ser salvo (João 3:35,36). É a imagem de Cristo a qual os salvos são transformados (Rom. 8:29) e por Cristo os salvos são conservados (Judas 1). Os frutos de justiça, são por Jesus Cristo, e, por isso, para a glória e louvor de Deus (Fil. 1:11). Não existe uma operação sequer na salvação que não glorifica Deus pelo Filho unigênito. Não deve ser segredo, tanto na realização da salvação quanto na condenação dos pecadores, Deus é, e sempre será, eternamente glorificado por Cristo (João 5:23; 12:48; II Cor 2:15,16; Fil. 2:5-11).
Existem muitos erros nas crenças de muitas igrejas e crentes já neste ponto inicial sobre o propósito da salvação. Muitos querem colocar as bênçãos que o homem recebe pela salvação como sendo os objetivos divinos na salvação. Mesmo que é uma verdade que a criação nova feita na salvação é maior e mais gloriosa do que a primeira criação relatada em Gênesis; mesmo que é verdade que a salvação é de uma condenação horrível; mesmo que é verdade que pela obra de Cristo na salvação Satanás é vencido e, mesmo que pela salvação moradas celestiais estão sendo feitas no céu, todas estas verdades são resultados da salvação e não as causas dela. Muitos confundem o eterno lar, o fruto do Espírito Santo, a vida cristã diante do mundo ou a igreja cheia de alegria como os desígnios da salvação. Mas, o estado final da salvação não deve ser confuso com o objetivo dela, nem os efeitos com as causas. Deus não tem propósito de dar a sua glória ao outro, inanimado, animado ou mesmo um salvo, mas, somente a Ele (Isa 42:8). Como em tudo demais que Deus faz, a salvação centra em Deus e em sua glória e não nos benefícios do homem. Os efeitos que a salvação produz não são as causas da salvação ser programada por Deus.
Se, em nosso entendimento desta maravilhosa doutrina da salvação, a ênfase for colocada em qualquer maneira nas bênçãos que o homem recebe e não na glória de Deus, o nosso entendimento é falho neste respeito e devemos buscar as bênçãos de Deus para que Ele nos endireita para adorarmos a Ele como Ele deseja, em espírito e em verdade (João 4:24).
3. A Causa da Salvação - Efésios 1:3-6
Deus - Apoc 1:8
A salvação começa com Deus, e isso, “antes da fundação do mundo” (Efés. 1:3,4; II Tess 2:13; Apoc 13:8). Por causa de não existir no princípio um homem sequer, junto com a sua vontade, nem o ministério dos anjos ou a pregação da Palavra de Deus - a salvação começou com o que era no princípio: Deus (Gên. 1:1). Deus é o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim (Apoc 1:8, 11). Deus é a primeira causa de tudo, um conceito reservado para o divino (Rom. 11:36). Porque? “Ó Pai, porque assim te aprouve.” (Luc 10:21).
Entendendo a situação deplorável do homem (Gên. 6:5; Rom. 3:10-18) podemos entender que a fé em Cristo é “obra de Deus” (João 6:29). É necessário lembrar-nos que o assunto deste estudo é a salvação e não a condenação. Os condenados pela justiça santa de Deus só podem culpar a sua própria cegueira espiritual e amor pelo pecado. Nunca podem responsabilizar a Deus pela condenação (Ecl 7:29). Os salvos, de outra maneira, somente têm Deus para louvar pela salvação (II Tess 2:13).
O Bom Prazer da Sua Vontade  -  Efés. 1:11
A vontade de Deus é a expressão do prazer de Deus. A vontade de Deus não pode ser diferente da Sua natureza, portanto, ela é soberana (não influenciada pelas forças terceiras), santa (pura, imaculada, inocente), poderosa (Ele pode desejar o que Ele deve) e imutável (nada pode impedi-la ou muda-la).
É a Sua vontade que motiva as Suas ações (Efés. 1:11, "faz todas as coisas, segundo o conselho da sua vontade"). Na esfera dos Deuses o verdadeiro Deus se destaca, pois, somente Ele faz "tudo o que lhe apraz" (Sal 115:3). O que foi criado, nos mares e em todos os abismos, é atribuído a ser criado por que Deus quis (Sal 135:6, "tudo o que o SENHOR quis, fez"). A eleição em Cristo que foi programada antes da fundação do mundo e a predestinação para os Seus serem filhos de adoção por Jesus Cristo são tidos como sendo "segundo o beneplácito de Sua vontade" (Efés. 1:4,5); "segundo o seu próprio propósito e graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos dos séculos" (II Tim 1:9). Tudo o que é envolvido no assunto da salvação é "segundo a Sua vontade" (Tiago 1:18). Deve ser notado que o amor e a graça de Deus fazem parte de Deus e conseqüentemente a salvação, mas não serão tratados como causas da salvação em particular pois podem ser considerados melhor num estudo detalhadamente sobre a própria vontade de Deus.
É lógico que seja a vontade de Deus uma causa da salvação pois a vontade de Deus é uma parte essencial da sua natureza expressando-a e sendo tudo que Deus é. "Falhamos em entender a origem de qualquer coisa quando não voltamos à vontade soberana de Deus" (Pink, The Atonement, p. 22). Se Deus é antes de todas as coisas (Col. 1:17), a sua vontade é também antes de tudo que existe e acontece. Aquele que sucede e é efetuado no mundo é o que o SENHOR dos Exércitos pensou e determinou (Isa 14:24, "O SENHOR dos Exércitos jurou, dizendo: Como pensei, assim sucederá, e como determinei, assim se efetuará"). Muito além da Sua vontade ser um tormento, é confortadora. Deus fazendo as Suas obras conforme o bom prazer da Sua vontade conforta o santo na sua tribulação. O servo Jó confiou na vontade de Deus na sua tristeza e foi confortado (Jó 23:13, "O que a Sua alma quiser, isso fará"). A mesma vontade que nos salva é aquela que garanta-nos o aperfeiçoamento da salvação até o memento que estamos na presença do Salvador no céu (João 6:39,40). Tal conhecimento da vontade de Deus traz paz ao salvo.
Tudo que Cristo precisava fazer pessoalmente para efetuar a salvação foi em submisso à vontade de Deus (Heb 10:7; Mat. 26:39). Tudo que os outros fizeram com Jesus durante o Seu tempo na terra, sim, até a traição de Judas, o julgamento injusto e a crucificação vergonhosa foi "pelo determinado conselho" de Deus (Atos 2:23). Ninguém fez mais nem menos do que a completa vontade de Deus. Podemos não entender este ponto, mas a verdade revelada pela Palavra de Deus pode ser maior que a nossa capacidade de entende-la. Devemos acata-la pela fé (Heb 11:1,6).
Mesmo que incluímos a vontade de Deus como parte da causa da salvação devemos frisar que a vontade de Deus não é a própria condenação ou a salvação mas uma parte íntegra de ambas. Há meios que Deus usa para efetuar a sua vontade e estes meios serão tratados posteriormente.
A Sua Presciência  -  I Pedro 1:2
A palavra ‘presciência’ (em grego: prognosis, #4268. Usada somente em Atos 2:23 e I Pedro 1:2) não é idêntica à palavra ‘conhecer’ (em grego: proginosko, # 4267. Usada em Atos 26:5; Rom. 8:29; 11:2; I Pedro 1:20 e II Pedro 3:17) mesmo que é relatada a ela. A palavra ‘presciência’ tem mais do que um mero conhecimento prévio de fatos embutido nela. É claro que Deus conhece todas as coisas e todas as pessoas, pois ele é onisciente. Todavia a palavra ‘presciência’ também tem um entendimento de preordenação ou uma preparação prévia (Thayer’s Léxico. Citado em Simmons, p. 211, Inglês). A presciência de Deus não somente conhece tudo, mas determina tudo em relação à salvação: O nascimento de Cristo (Gal 4:4), a morte de Cristo pelas mãos injustas (Atos 2:23; 4:28), as pessoas a serem salvas (I Pedro 1:2, "os eleitos"), o envio da mensagem a estes (Atos 18:10) e a hora que crêem (Atos 13:48). Tudo foi segunda a Sua ordenação explicita que, por sua vez, é segundo a Sua vontade que é eterna (II Tess 2:13,14; Rom. 9:15,16). É nesse sentido de preordenação, que a salvação é segundo a presciência de Deus.
Deus conhece os Seus intimamente com um amor especial e a palavra ‘presciência’ indica isso. “A presciência que Deus tem do Seu próprio povo quer dizer Sua complacência peculiar e graciosa para com Seu povo" (Comentário de Jamieson, Fausset, e Brown, citado pelo Simmons, p. 241, Português). Por ter um amor especial, Deus age para com os Seus em maneiras especiais (Deut. 7:7,8; Jer 31:3; Rom. 9:9-16; I João 4:19). No sentido de preordenação, os eleitos são especialmente e intimamente amados antemão. É nessa maneira eles são determinados em I Pedro 1:2 de serem eleitos "segundo a presciência de Deus".
Há os que determinem que a vontade eterna de Deus é baseada naquilo que vem livremente do homem: a sua vontade. Isso séria de basear a salvação divina no conhecimento anterior que Deus tem de algumas ações do homem. Se a vontade de Deus é baseada na ação que Deus conhecia antemão que um homem faria é verdade que o conhecimento da ação do homem veio antes da própria vontade de Deus. Mas como temos estudado, Deus é antes de todas as coisas, e, em verdade "todas as coisas subsistem por Ele" (Col. 1:17). A salvação do pecador não é baseada na vontade do homem, mas na de Deus (Efés 1:11). O novo nascimento "não vem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus" (João 1:13; Rom. 9:16). Por isso, quando consideramos a causa da salvação, tanta a vontade soberana e a presciência de Deus são contempladas. Os eleitos "segundo a presciência" de Deus são os que foram eleitos ‘em’ a presciência de Deus (Simmons, p. 211, Inglês). Os eleitos são chamados não segundo as suas obras, mas, "segundo o Seu próprio propósito e graça" que foi-lhes dado em Cristo Jesus antes dos tempos dos séculos (II Tim 1:9).
A presciência, contudo, não anula que o homem tem uma escolha na salvação. Os mandamentos de Deus para com o homem e as promessas de Deus em resposta às ações do homem confirmam que o homem tem responsabilidade pessoal. Todavia, a presciência garanta que os eventos preordenados serão feitos, até mesmo pela ação livre do homem. A referencia de Atos 2:23 e as múltiplas profecias sobre a vinda, vida, morte, ressurreição de Cristo, a implantação da sua igreja no mundo e os eventos que chamamos ainda de ‘futuros’ são provas que a presciência garanta eventos predeterminados sem anular a ação livre do homem.
Aqueles que Deus não conheceu intimamente (Mat. 7:23) são os condenados. Devemos frisar que estes não são condenados por não serem especialmente conhecidos antemão por Deus, mas por praticarem a iniqüidade. São eternamente julgados por não buscarem a justiça de Deus pela fé (Rom. 9:31-33). O inferno é para os que "não se importaram de ter conhecimento de Deus" (Rom. 1:28). A Bíblia diz claramente que "o erro dos simples os matará, e o desvario dos insensatos os destruirá" (Prov. 1:25-32). Os "entenebrecidos no entendimento" são verdadeiramente separados da vida de Deus. Essa separação não é pela eleição, mas, biblicamente, "pela ignorância que há neles, pela dureza do seu coração" (Efés. 4:17-19). Os salvos são recipientes da misericórdia e da graça de Deus segundo a Sua vontade e trazidos ao arrependimento e a fé em Cristo (Jer 31:3; Rom. 9:14,15; Efés. 2:5-9). Os salvos têm somente a Deus, Seu amor e a Sua vontade para louvarem eternamente. Os não salvos não são recipientes da misericórdia e da graça especial de Deus e são condenados pelos seus pecados (Rom. 6:23). Eles somente podem culpar o seu próprio pecado pois são estes que separam-se de Deus (Isa 59:1-3). Os condenados têm somente a sua incredulidade para os acompanharem pela eternidade (João 3:18,19). Devemos lembrar-nos que o propósito da salvação, que já estudamos, não é nem a salvação ou a condenação do homem, mas a própria glória de Deus. Tanto a salvação quanto a condenação operam para este fim (Prov. 4:16). A presciência faz parte da causa da salvação e não da condenação.
A Soberania de Deus   -  Efés. 1:11
A palavra soberania significa: 1. Qualidade de soberano. 2. Poder ou autoridade suprema de soberano. 3. Autoridade moral, tida como suprema; poder supremo. 4. Propriedade que tem um Estado de ser uma ordem suprema que não deve a sua validade a nenhuma outra ordem superior. 5. O complexo dos poderes que formam uma nação politicamente organizada (Dicionário Aurélio Eletrônico).
Quando falamos da soberania de Deus entendemos a qualidade de Deus desejar e fazer o que lhe apraz. É o exercício da Sua supremacia (C. D. Cole, citado em Leaves, Worms ..., p. 120) ou a expressão da sua santa independência. A soberania de Deus deve ser considerada como parte da causa da salvação juntamente com a sua vontade e preordenação. É a vontade soberana que é relacionada com a Sua presciência, e, é o Seu poder soberano que determina que a Sua vontade seja realizada (Isa 46:10,11, "O meu conselho será firme, e farei toda a minha vontade"; 55:10,11, "fará o que me apraz"; Daniel 4:35; Atos 2:23). Que Deus é tido como soberano é claro pelos versículos seguintes (Jó 23:13; Sal 115:3; 135:6; Lam 3:37,38; Isa 14:24; 45:7; Isa 46:9,10; João 19:11; Rom. 11:33-39). Deus é soberano na salvação pois Ele não é obrigado a salvar qualquer das suas criaturas rebeldes. A Sua soberania na salvação é entendida pelo Romanos 9:18, "Logo, pois, compadece-se de quem quer, e endurece a quem quer." (Veja também Efés. 2:7-11). Deus, pelo soberania, faz o Teu povo chegar a Si (Sal 65:4) e isso, voluntariamente (Sal 110:3).
"Deus não é somente soberano, mas também é amor. Soberania isolada pode ser fria e dura. Amor isolado pode ser fraco. Deus não é frio e duro nem fraco. Ele é tanto Todo-Poderoso quanto cheio de amor. A soberania de Deus assegura que tudo que aconteça a nós é para Sua glória e o amor de Deus assegura que tudo que aconteça a nós é para o nosso bem." (Maggie Chandler, Leaves, Worms, Butterflies and T. U. L. I. P. S., p. 70)
A soberania de Deus, em relação a causa da salvação junto com a sua vontade e presciência, é um assunto que vai além do entendimento do homem. A soberania de Deus pode ser considerada uma parte daquele que é encoberto e que pertence somente ao SENHOR. Porem, aquela parte da soberania de Deus que é revelada pela Palavra de Deus, é para nós e deve ser abordada (Deut. 29:29). Mesmo assim que deve ser estudada, nem tudo revelado nas Escrituras é entendido facilmente. Há coisas para nós inescrutáveis (Jó 42:3), insondáveis (Rom. 11:33) e mais do que podemos contar (Sal 40:5). Mesmo que nunca alcançaremos os caminhos de Deus ou chegaremos à perfeição do Todo-Poderoso (Jó 11:7), toda essa glória não deve nos cegar de ter fé no que as Sagradas Escrituras revelam de Deus. O homem pode não entender tudo sobre a Deus junto com a Sua vontade, a Sua presciência e Soberania (Mat. 20:13-15), mas em nenhum instante isso justifica o homem a julgar ou replicar a Deus (Rom. 9:14-21) e nem ser ignorante do assunto. Se vamos andar da maneira reta diante de Deus, precisaremos andar pela fé com os fatos revelados (Heb 11:1,6). O assunto da soberania de Deus pede que exercitamos essa fé.
A justiça e o amor de Deus são envolvidos na salvação mas não propriamente como a causa dela. A justiça pede a condenação dos pecados (Gên. 2:7; Ezequiel 18:20; Rom. 6:23) e não a salvação. O amor de Deus é o que trouxe Cristo para ser o Salvador (João 3:16; Rom. 5:6-8), todavia estamos tratando não o ato da salvação mas a sua causa.
(...continua...!)